“QUOTIDIE MORIOR” (ICOR 15,31: Morro Todos os Dias)

“QUOTIDIE MORIOR” (ICOR 15,31: Morro Todos os Dias)

Mas São Paulo quer gravar em nós uma outra ex­pressão, que tem um significado especial em seu vocabu­lário: “Quotidie morior” (ICor 15,31: Morro todos os di­as). Aplicando à nossa situação, devemos, nós, que que­remos ser dedicados de modo especial, nós, que para a glória do Pai queremos assumir Jesus em nós, queremos também morrer todos os dias. Ele deve viver em nós, Ele deve sofrer em nós. E evidente, na prática isso quer di­zer: na Santa Missa subimos até o alto da cruz, não para, logo após a Santa Missa, dela descer. “Quotidie morior.” Dia após dia, faço com que Jesus durante as vinte e qua­tro horas viva novamente em mim sua vida de cruz.

São pensamentos que talvez não nos sejam tão es­tranhos. Queremos renová-los. Isto deve ser uma ação de graças especial. Portanto, no futuro a Família quer fazê-lo de modo especial.

Lembremo-nos que o “Hino de Gratidão” (Rumo ao Céu, estrofes 612 a 625) foi composto já em 1942. Quantos anos passaram? Ao menos vinte! O Concílio nos sugeriu a mesma coisa. Gratidão por tudo. Sim, a Santa Missa deve ser dádiva de gratidão. E para nós: dádiva de gratidão pela admirável proteção que todos nós experimentamos. Na Santa Missa queremos nova­mente ser pregados à cruz com Jesus, dar-lhe ocasião de continuar sua paixão vinte e quatro horas por dia e, en­tão, ao mesmo tempo, durante o dia levar a sério o estar pendente da cruz.

Se examinarmos o que a “Missa do Instrumento” (Rumo ao Céu, estrofe 19 a 170) nos tem a dizer neste sentido, notamos como aí tudo nos é dito de modo con­creto. Aí se fala a este respeito: Ele deve colocar novamente em nossa cabeça a coroa, sua coroa de espinhos. Em nós Ele quer que sua cabeça seja perfurada pelos espinhos, pois somos também uma parte dele. E Ele quer continuar sua vida, continuá-la também na época atual, também na situação atual. Queremos e devemos receber dele a chaga do coração. Isso quer dizer: assim como Ele deixou que a lança penetrasse em seu Coração, também estamos dispostos a que a lança nos golpeie o coração, a ter a lança cravada e a suportá-la no coração. “Quotidie morior”. Dia após dia, em todas as situações, esforçar- me-ei por continuar e completar em mim a glória da pai­xão de Jesus sofredor. O mesmo se aplica aos cravos, cravos que perfuraram suas mãos e seus pés. Aí temos a figura gloriosa e sofredora de Jesus, que a quer tornar realidade, vinte e quatro horas por dia, em nossa vida, em minha vida.

“Com gratidão nossas almas escolham o Cordeiro de Deus” (Rumo ao Céu, estrofe 619). Queremos esco­lher novamente o Cordeiro, o Cordeiro de Deus; quere­mos procurar nos desposar com Ele, unir-nos a Ele; que estejamos convencidos do que São Paulo nos diz: “Não mais vivo eu, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Cristo sofre em mim, Cristo morre em mim, dia após dia. (Pe. José Kentenich, em: Conferência à Família de Schoenstatt da Diocese de Muenster 13 de fevereiro de 1966. Livro Cristo minha vida, p. 77 a 78)

Por Irmã Gislaine Lourenço
Assessora do Santuário Morada da Alegria Vitoriosa

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